“REBECCA” é plágio de “A SUCESSORA”?

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Em 1944, quando o diretor Alfred Hitchcok lança o filme Rebeca, a polêmica foi novamente levantada, e Carolina Nabuco, embora Em 1934, Carolina Nabuco publicou seu romance “A Sucessora”. Em 1938, Daphne Du Maurier publicou “Rebeca”. Levantaram-se hipóteses de que a autora inglesa havia plagiado “A Sucessora” no seu romance Rebeca, opinião com a qual Carolina concordava.  Ela havia traduzido seu livro para o inglês e o enviara a um agente literário nos Estados Unidos, para que lhe encontrasse um editor. A versão inglesa não encontrou editor, mas o fato de haver uma tradução emrelutante, concordou em aceitar o caso como uma “coincidência literária”.

A leitura de um artigo sobre essa história despertou-me a curiosidade e motivou-me a ler o romance “A Sucessora”. Romance interessante, que tem como cenário uma grande fazenda semi-decadente após a abolição da escravatura, e a cidade do Rio de Janeiro da primeira metade do século XX, cujos costumes são  amplamente descritos durante a narrativa.

Em ambas mansões há um grande retrato pendurado à parede, e ambos serão motivos de conflitos.

Foi plagiado em “Rebeca”?

Não.

O casamento de um homem viúvo com uma jovem não é algo original, aconteceu e continua acontecendo. E, com certeza, há mais romances colocando essa situação. O mesmo se pode dizer de um certo constrangimento da jovem esposa habitando a mesma casa que sua antecessora habitou. Temos, portanto, três “coincidências”: o homem é viúvo, a nova esposa é jovem, os dois vão morar na mesma casa em que antes dominava ‘a outra’.

Em Rebeca, é Max de Winter que mora numa propriedade rural. conheceu sua  MD numa viagem ao Sul da França, quando a jovem servia de acompanhante a uma dama rica, com a qual estava sempre viajando. 

Marina, a  protagonista de ‘Á Sucessora”, mora com sua mãe numa fazenda; da qual será herdeira. É rica, tem uma criada à sua disposição, e a única coisa que ocupa seu ócio é a leitura.

É difícil para MD adaptar-se ao papel de senhora de uma grande e luxuosa mansão, cujos costumes ela desconhece, e estando o marido quase sempre ausente, Além disso, e principalmente, a governanta, que idolatrava Rebeca, está o tempo todo fazendo algo para constranger a jovem, até levá-la ao maior dos constrangimentos. Para Marina, que vivia numa fazenda, o difícil é acostumar-se à vida no Rio de Janeiro, mesmo o marido estando presente. Embora tenha sido acolhida pelos amigos de Roberto (seu marido), eles estão sempre a relembrar-se da ‘outra’, que era requintada, divertida,  moderna e adorava a vida noturna.

Ainda haveria muito a se comparar, mas deixo isso a cargo do leitor – pois espero ter despertado sua curiosidade para estes dois romances.

Para concluir:

O livro de Daphne Du Maurier foi levado ao cinema em 1944, pelo grande diretor de suspense, Alfred Hitchcock tendo ganhado o Oscar de Melhor Filme. Depois do filme, o livro “Rebeca” foi traduzido para vários idiomas, com várias edições, e milhões de exemplares foram e continuam a ser vendidos,

O romance “A Sucessora” foi adaptado para a televisão, indo ao ar nos anos 1978/1979. O livro ficou décadas sem nova edição, até ser publicado  em 2018. Pela Editora Instante, que publicou também outra obra de Carolina Nabuco – “Chamas e Cinzas”.

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Maura Maciel

 

 

 

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