O menino e a flor

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Eu vinha vindo pela rua Primavera, olhando lá embaixo a cidade, suas muitas ruas e avenidas, prédios e árvores, os arranha-céus. Eu vinha assim como quase sempre venho: distraída. Por isso não  ouvi a primeira vez em que o menino me chamou: moça, ó moça. Da segunda, olhei para ele. Era só um meninozinho de cinco anos, uniforme de colégio, uma mecha dos cabelos lisos caindo pela testa. Estava parado diante de mim,  na mão estendida portando uma flor – do campo: longas pétalas amarelas rutilando ao sol. 

 –  Apanhei pra você, ele falou.

Olhei por trás dos ombros, esperando que houvesse outra pessoa. Não havia: era para mim mesma. Ele esperava, sem compreender minha hesitação. Aí, eu lhe estendi a mão e um sorriso, peguei a flor com muito cuidado, passei os dedos por suas pétalas. O amarelo rebrilhava. Levantei a cabeça, ia  agradecer, mas… onde estava ele?  Voltei, procurei com o olhar aquela criança –  em algum dos carros que saíra, em algum daqueles prédios,  havia desaparecido. A flor, no entanto – a flor continuava ali, era toda minha, assim, sem mais nem menos, apenas uma dádiva.

Foto em https://www.canstockphoto.com.br/foto-imagens/menino-segurando-flor.html

(MM)

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